Pergunta errada. Resposta errada.

07maio08

O quão comum é tentar resolver o problema através de suas conseqüências ao invés de suas causas? Eu tenho visto acontecer com grande freqüência e o resultado é que as soluções apenas causam mais problemas. O que me faz pensar no quanto a cultura da Toyota é interessante ao propor perguntar “por que?” cinco vezes antes de tentar resolver um problema.  É a instituição oficial da análise da causa raiz. Agora, sem esforço, consigo me lembrar de dois casos nos quais a pergunta errada – ou a análise apenas das conseqüências – implicava uma resposta errada com resultados, digamos, indesejados.

Ontem encontrei um artigo sobre quanto tempo um desenvolvedor deve gastar para resolver bugs encontrados em projetos no emprego anterior. A questão basicamente era: “É seu código, seu bug, mas não é mais seu emprego. Quanto tempo gastar para ajudar a resolver?”. Enquanto alguns comentários debandavam para questões legais ou o desenvolvedor agora talvez trabalhar para a concorrência, eu pensava: meu código? Meu bug? Não, obrigado. Ambos não deveriam ser meus. Ambos devem ser de propriedade e responsabilidade do time. Trabalhar em times quer dizer, ou ao menos deveria, que tarefas importantes não devem ficar sob responsabilidade de apenas uma pessoa. É uma maneira efetiva tanto de evitar que o trabalho pare se um individuo se ausentar quanto de permitir que pessoas com conhecimentos diferentes tornem o resultado final melhor. XP leva isso ao extremo ao propor programação em par e propriedade coletiva do código. Não é seu código ou bug e qualquer um dentro do time pode se encarregar da tarefa. Percebeu como faz pouco sentido chamar alguém que já saiu para resolver um problema?

A segunda pergunta era: “fazer a aceitação de um release dá muito trabalho, não seria melhor fazer releases em intervalos maiores?”. Não, não seria. A aceitação só é muito trabalhosa se os testes de aceitação/funcionais são feitos manualmente. O caso não é de aumentar o ciclo para poupar esforço com muitas releases, mas automatizar os testes para que as releases sejam feitas semanalmente, de preferência. Aumentar o ciclo de releases não resolve o problema. Apenas aumenta já que, falta  de automação + ciclos maiores resultará em mais funcionalidades para testar e menos feedback sobre erros. A resposta errada não resolveu o problema, apenas criou outros.

Ambos os casos acima remetem para meu post anterior sobre problemas se tornarem oportunidades. Mas nem sempre é fácil perceber as implicações de respostas erradas, principalmente quando quem as dá não é quem vive os resultados delas, ou sofre os problemas na pele . No fim das contas, as vezes é mais fácil dar as respostas erradas do que fazer as perguntas certas.

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3 Responses to “Pergunta errada. Resposta errada.”

  1. Como anda a manutenção do componente de transcodificação de áudio? Muitos números mágicos pela frente? 😉

    Depois ainda vêm falar que pair programming é quando duas pessoas estão fazendo o trabalho de uma, fala sério.. =)

    T+

  2. 2 THiago Leite

    A pergunta é “por que?” ou o “o que provocou esse bug?” ? Pedir ao cliente para executar na frente do desenvolvedor todos os passos que ele deu foi uma forma que encontrei de achar bugs.

  3. 3 Marcos

    Muito pertinente os comentários.
    Mas não podemos esquecer o contexto em que o artigo está inserido. Nem todo mundo trabalha com uma equipe bacana e motivada ao ponto de dividir responsabilidades (e códigos). Eu diria até que nem todo mundo conseguiria sequer dividir tais responsabilidades simplesmente porque a equipe de desenvolvimento é tão enxuta que chega até a ser insuficiente pro volume de trabalho que ela tem que desenvolver. Acredito inclusive que a discussão acerca deste artigo poderia envolver algumas questões relacionadas com o tipo de vínculo empregatício americano e o nosso, mas aí talvez fugiria um pouco do foco empregado.


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