Motor Curiosidade

18ago07

Curiosidade é um comportamento naturalmente questionador, um estado no qual se quer aprender mais sobre algo, um aspecto emocional que direciona para investigação e aprendizado. Essa é uma pequena compilação das definições sobre curiosidade. Provavelmente você pode encontrar outras melhores do que essas, um dicionário de bolso com certeza vai lhe ajudar. Entretanto, para mim, o mais adequado é chamar curiosidade de motor.

Mas por que?

Vamos começar com listas sobre as características fundamentais para se tornar um bom desenvolvedor de software. Há quem diga que fundamental é a habilidade para resolver problemas, que ser preguiçoso (eu não gosto muito dessa palavra para denotar o que se tenta explicar) é um bom começo, enfim, listas e mais listas sobre o assunto. Em todas elas há uma faceta sempre presente, geralmente descrita de maneiras diferentes: a vontade de aprender, o gosto por aprender, o amor por aprender. Gosto de resumir as descrições de aprendizado como curiosidade. Para mim, curiosidade é o motor para me movimentar a ter iniciativa, daí para fazer coisas boas – outras nem tanto – acontecerem, o tal gosto por aprender, saber, descobrir, explorar. Iniciativa, vinda da curiosidade ou não, é o que eu chamo de “não coincidência”, mas espere, eu não vou enveredar por esse caminho, não é o propósito desse post.

Um dos grandes exemplos sobre como curiosidade pode ser benéfica é a Toyota. Lá a solução de problemas é feita com perguntas consecutivas para chegar à causa raiz, algo um bocado mais profundo e efetivo do que apenas apagar os incêndios que surgem no meio do caminho. Assim a Toyota lida com a causa dos problemas uma única vez, ao invés de lidar com as consequências várias vezes. Perguntar “por que” fundamenta a cultura de curiosidade que ajudou a Toyota a crescer sempre, não apenas porque os funcionários resolvem de vez os problemas, mas porque assim as pessoas aprendem, mudam de idéia, aperfeiçoam as que já possuem.

As empresas mais interessantes para trabalhar já perceberam o quanto precisam de pessoas capazes de aprender. Não é mais o caso de requerer um currículo com uma lista de siglas, mas de encontrar alguém que possa fazer essa lista crescer. Isso é imprescindível para software porque não existe uma tecnologia só para resolver todos os problemas, não existe um framework para preencher a vaga em todo e qualquer projeto. Você até pode tentar, afinal, faz sentido usar o que já se sabe, tanto que experiência é o item mais citado nas vagas de emprego. Está aí também o motivo pelo qual as empresas tentam usar uma gama pequena de tecnologias para desenvolver todos os projetos que chegarem à fabrica. Só que isso não precisa ser excludente com olhar pela janela para perceber o quanto outras alternativas podem ser bem mais interessantes, mesmo nos casos onde você já imagina como resolver o problema com o que já conhece.

ps.: Não que esse post seja tão bom assim, mas como curiosidade é importante para mim, resolvi renomear o blog para “Motor Curiosidade”. Acho um nome melhor do que o antigo.

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3 Responses to “Motor Curiosidade”

  1. Eu gosto bastante da palavra “preguiça”. Embora ela quase sempre cause um efeito indesejado, ainda acho que ela expressa com uma certa fidelidade um fator que considero importante. E não apenas para quem desenvolve softwares, mas para qualquer tipo de pessoa “esperta”.

    No entanto, corcordo que esta característica não é algo tão importante a ponto de ser considerada fundamental. Mas também acredito que uma certa dose de vagabundice nos ajuda facilitar as coisas, pois quem usa sabiamente a vagabundice percebe com mais facilidade que algumas tarefas podem estar consumindo tempo e/ou esforço que não deveriam.

    O interessante é que muita gente acaba usando essa vagabundice da forma errada, ou seja, para atacar os problemas causados pelas conseqüências de um outro, e não para resolver este outro problema (como observado no post). Isso prova que esta “técnica” é tão vulnerável quanto qualquer outra, no sentido de que podem ser usadas para fazer bobagem.

    Só pra concluir, também acho uma bobagem esse lance de se contratar gente que saiba determinadas tecnologias apenas. Essa com certeza é a melhor forma de se selecionar um profissional… “brainless”.

    É uma pena, mas creio que isso vai demorar para acabar aqui por essas bandas… e, enquanto isso não acontece, vamos continuar vendo vagas para “struts”. :S

  2. Ah, gostei do nome também, dá uma idéia melhor do tipo de texto que veremos por aqui.

    E já atualizei o link do meu blog pra cá! 😀

    Abraço.


  1. 1 Por menos automação. « Motor Curiosidade

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